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sexta-feira, 11 de junho de 2010

TESTE DE AVALIAÇÃO 11º ANO - CESÁRIO VERDE

I
A
Lê o poema com atenção e responde às questões de modo claro e com respostas completas:


DE VERÃO
I
No campo; eu acho nele a musa que me anima:
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com minha prima,
Em quem eu noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação.

II
Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro
Da lírica excursão, de intimidade.
Não pinto a velha ermida com seu adro;
Sei só desenho de compasso e esquadro,
Respiro indústria, paz, salubridade.

III
Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;
E tu dizias: «Fumas? E as fagulhas?
Apaga o teu cachimbo junto às eiras;
Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras!
Quanto me alegra a calma das debulhas!

IV
E perguntavas sobre os últimos inventos
Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!
Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!
Olha: Os saloios vivos, corpulentos,
Como nos fazem grandes barretadas!

V
Voltemos! No ribeiro abundam as ramagens
Dos olivais escuros. Onde irás?
Regressam os rebanhos das pastagens;
Ondeiam milhos, nuvens e miragens,
E, silencioso, eu fico para trás.

VI
Numa colina brilha um lugar caiado.
Belo! E, arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga; ao lado,
Verdeja, vicejante, a nossa vinha.

VII
Nisto, parando, como alguém que se analisa,
Sem desprender do chão teus olhos castos,
Tu começaste, harmónica, indecisa,
A arregaçar a chita, alegre e lisa,
Da tua cauda um poucochinho a rastos.

VIII
Espreitam-te, por cima, as frestas dos celeiros;
O sol abrasa as terras já ceifadas,
E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
Sobre os teus pés decentes, verdadeiros,
As saias curtas, frescas, engomadas.

IX
E, como quem saltasse, extravagantemente,
Um rego de água, sem se enxovalhar,
Tu, a austera, a gentil, a inteligente,
Depois de bem composta, deste à frente
Uma pernada cómica, vulgar!

X
Exótica! E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
No atalho enxuto, e branco das espigas,
Caídas das carradas no salmejo.
Esguio e a negrejar em um cortejo,
Destaca-se um carreiro de formigas.

XI
Elas, em sociedade, espertas, diligentes.
Na natureza trémula de sede,
Arrastam bichos, uvas e sementes
E atulham, por instinto, previdentes,
Seus antros quase ocultos na parede.

XII
E eu desatei a rir como qualquer macaco!
«Tu não as esmagares contra o solo!»
E ria-me, eu ocioso, inútil, fraco,
Eu de jasmim na casa do casaco
E de óculo deitado a tiracolo!

XIII
«As ladras da colheita! Eu, se trouxesse agora
Um sublimado corrosivo, uns pós
De solimão, eu, sem maior demora,
Envenená-las-ia! Tu, por ora,
Preferes o romântico ao feroz.

XIV
Que compaixão! Julgava até que matarias
Esses insectos importunos! Basta.
Merecem-te espantosas simpatias?
Eu felicito suas senhorias,
Que honraste com um pulo de ginasta!»

XV
E enfim calei-me. Os teus cabelos muito loiros
Luziam, com doçura, honestamente;
De longe o trigo em monte, e os calcadoiros,
Lembravam-me fusões de imensos oiros,
E o mar um prado verde e florescente.

XVI
Vibravam, na campina, as chocas da manada;
Vinham uns carros a gemer no outeiro,
E finalmente, enérgica, zangada,
Tu, inda assim bastante envergonhada,
Volveste-me, apontando o formigueiro:

XVII
«Não me incomode, não, com ditos detestáveis!
Não seja simplesmente um zombador!
Estas mineiras negras, incansáveis,
São mais economistas, mais notáveis,
E mais trabalhadoras que o senhor!»

Cesário Verde

1. O poema “narra” um passeio pelo campo.
1.1. Faz a sua análise formal.
1.2. Caracteriza as duas personagens envolvidas.
1.3. Que influência exerce o campo sobre o sujeito poético?

2. A deambulação é feita pelo eu poético e pela prima. Mostra como é captada a realidade, através de diferentes sensações.

3. Interpreta a última estrofe, analisando a intenção crítica subjacente.

B

Elabora um texto argumentativo onde comentes a afirmação “Cesário Verde é um pintor por palavras.” (entre sessenta e cem palavras).

II

Atenta novamente no poema transcrito e responde, assinalando na folha de respostas a alínea correcta:

1. Em “eu acho nele a musa que me anima” (v. 1) temos
a. Uma oração subordinada relativa restritiva.
b. Uma oração subordinada relativa explicativa.
c. Uma oração subordinada relativa completiva.
d. Uma oração subordinada adverbial causal.

2. Na terceira estrofe do poema encontramos verbos
a. No presente do indicativo, no imperfeito do indicativo, no infinitivo e no gerúndio.
b. No gerúndio, no imperativo, no imperfeito do indicativo e no presente do indicativo.
c. No imperativo, no imperfeito do conjuntivo, no presente do indicativo e no imperfeito do indicativo.
d. No presente do indicativo, no gerúndio, no futuro do conjuntivo e no imperativo.

3. Em qual destas estrofes a rima é predominantemente rica?
a. I
b. III
c. VIII
d. XIII

4. Em qual destas estrofes não encontramos rima em “eco”?
a. II
b. III
c. IX
d. XV

5. De entre os versos apresentados, qual deles é heróico?
a. “A claridade, a robustez, a acção.”(v. 2)
b. “”De longe o trigo em monte, e os calcadoiros” (v. 73)
c. “O sol abrasa as terras já ceifadas” (v. 37)
d. “E mais trabalhadoras que o senhor!” (v. 85)


6. Na estrofe XI encontramos as seguintes figuras estilísticas:
a. Enumeração, adjectivação e personificação.
b. Adjectivação, personificação e hipérbole.
c. Enumeração, adjectivação e metonímia.
d. Metonímia, personificação e adjectivação.

7. Em “Julgava até que matarias /Esses insectos importunos!” (vv.66, 67) temos
a. Uma oração subordinada relativa restritiva.
b. Uma oração subordinada relativa explicativa.
c. Uma oração subordinada relativa completiva.
d. Uma oração subordinada adverbial causal.

8. Numa destas estrofes está presente a ironia. Em qual?
a. VIII
b. X
c. XIII
d. XIV

9. Num destes enunciados encontramos uma hipálage. Identifica-o.
a. “Os teus cabelos muito loiros/ Luziam, com doçura, honestamente;” (vv. 71,72)
b. “De longe o trigo em monte” (v. 73)
c. “Lembravam-me fusões de imensos oiros” (v. 74)
d. “E o mar um prado verde e florescente” (v. 75)

10. Em qual destas estrofes detectamos um aposto (ou modificador apositivo)?
a. Estrofe XV
b. Estrofe XIV
c. Estrofe II
d. Estrofe VII


III

Elabora um texto de opinião subordinado ao tema “Quem bom viver no campo!” (num texto entre 160 e 200 palavras).

COTAÇÕES:
GRUPO I………………………………….…………100 pontos
A.
1.1………………………………......…10 pontos(C=6+OCL=4)
1.2………………………………………20 pontos(C=12+OCL=8)
1.3……………………………………….5 pontos(C=3+OCL=2)
2………………………………………..15 pontos(C=9+OCL=6)
3……………………………………….10 pontos(C=6+OCL=4)
1. B. ………………………………….30 (C=18+OCL=12)

GRUPO II ………………………………..…..……….50 pontos
1-10……………………………………………...……….5 pontos


Grupo III ……………………………50 pontos(C=30+OCL=20)
TOTAL ……………………………………………..…200 pontos


Conteúdo = C Organização e Correcção Linguística = OCL
Bom trabalho!!! A Professora: Lucinda Cunha

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Teste sobre Os Maias de Eça de Queirós


I
A
Lê atentamente o texto que se segue.

"Diante deles o hipódromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calçada e das cruas reverberações da cal, mais fresco, mais vasto, com a sua relva já um pouco crestada pelo sol de Junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e além. Uma aragem larga e repousante, chegava vagarosamente do rio.
No centro, como perdido no largo espaço verde, negrejava, no brilho do sol, um magote apertado de gente, com algumas carruagens pelo meio, donde sobressaíam tons claros de sombrinhas, o faiscar de um vidro de lanterna, ou um casaco branco de cocheiro. Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de repartição, erguiam-se as duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial. A da esquerda, vazia, por pintar, mostrava à luz as fendas do tabuado. Na da direita, besuntada por fora de azul-claro, havia uma fila de senhoras quase todas de escuro encostadas ao rebordo, outras espalhadas pelos primeiros degraus; e o resto das bancadas permanecia deserto e desconsolado, de um tom alvadio de madeira, que abafava as cores alegres dos raros vestidos de Verão. Por vezes a brisa lenta agitava no alto dos dois mastros o azul das bandeirolas. Um grande silêncio caía do céu faiscante.
Em volta do recinto da tribuna, fechado por um tapume de madeira, havia mais soldados de Infantaria, com as baionetas lampejando ao sol. E no homem triste que estava à entrada, recebendo os bilhetes, metido dentro de um enorme colete branco, reteso de goma, e que lhe chegava até aos joelhos – Carlos reconheceu o servente do seu laboratório. (…)
No recinto em declive, entre a tribuna e a pista, havia só homens, a gente do Grémio, das secretarias e da casa Havanesa; a maior parte à vontade, com jaquetões claros, e de chapéu-coco; outros mais em estilo, de sobrecasaca e binóculo a tiracolo, pareciam embaraçados e quase arrependidos do seu chique. Falava-se baixo, com passos lentos pela relva, entre leves fumaraças de cigarro. Aqui e além um cavalheiro, parado, de mãos atrás das costas, pasmava languidamente para as senhoras. Ao lado de Carlos dois brasileiros queixavam-se do preço dos bilhetes, achando aquilo uma “Sensaboria de rachar”.
Defronte a pista estava deserta, com a relva pisada, guardada por soldados: e junto à corda, do outro lado, apinhava-se o magote de gente, com as carruagens pelo meio, sem um rumor, numa pasmaceira tristonha, sob o peso do sol de Junho. Um rapazote com uma voz dolente, apregoava água fresca. Lá ao fundo o largo Tejo faiscava, todo azul, tão azul como o céu, numa pulverização fina de luz. (…)
Os outros voltaram-se. Era o Sequeira, com a face como um pimentão, entalado numa sobrecasaca curta que o fazia mais atarracado, de chapéu branco sobre o olho e grande chicote debaixo do braço.
Aceitou um copo de champanhe e teve muito prazer em conhecer o Sr. Clifford…
– E o que me diz você a esta sensaboria? ­ Exclamou ele logo, voltando-se para Carlos.
Enquanto a si, estava contente, pulava… Aquela corrida insípida, sem cavalos, sem jóqueis, com meia dúzia de pessoas a bocejar em roda, dava-lhe a certeza que eram talvez e que o Jockey Club rebentava… E ainda bem! Via-se a gente livre de um divertimento que não estava nos hábitos do País. Corridas era para se apostar. Tinha-se apostado? Não? Então histórias!... Em Inglaterra e em França, sim! Aí eram um jogo como a roleta, ou como o monte… Até havia banqueiros, que eram bookmakers… Então já viram!”

Eça de Queirós, Os Maias (Cap. X)


1. O espaço tinha sido preparado para a ocasião. Transcreve do segundo e do terceiro parágrafos expressões que evidenciem a improvisação.
2. Descreve o vestuário das pessoas presentes, registando os contrates que se evidenciam.
3. Transcreve do texto expressões que provem o provincianismo na organização deste evento.
4. No texto o discurso indirecto livre é utilizado. Justifica, retirando um excerto.
5. Classifica a focalização do narrador neste excerto da obra.


B

“Apesar de ser uma obra realista, n’ Os Maias são evidentes características da tragédia grega.”
Num texto entre 60 a 100 palavras, comenta a afirmação transcrita, num texto bem estruturado.

II

Lê o texto que se segue e selecciona a alínea correcta para cada questão:

“Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando (…). A estranheza do título justifica uma explicação, para que ele não passe como um mero exercício de estilo.
Quando era pequeno — muito pequeno, talvez oito ou dez anos — lembro-me de estar deitado na banheira, em casa dos meus pais, a ler um livro de quadradinhos. Era uma aventura do David Crockett, o desbravador do Kentucky e do Tenessee, que haveria de morrer na mítica batalha do Forte Álamo. Nessa história, o David Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, havia uma índia muito bonita — uma “squaw”, na literatura do Far-West — que cuidava dele, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: “não te deixarei morrer, David Crockett!”
Não sei porquê, esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre, quase obsessivamente. Durante muito tempo, preservei-as à luz do seu significado mais óbvio: eu era o David Crockett, que queria correr mundo e riscos, viver aventuras e desvendar Tenessees. Iria, fatalmente, sofrer, levar pancada e ficar, por vezes inconsciente. Mas ao meu lado haveria sempre uma índia, que vigiaria o meu sono e cuidaria das minhas feridas, que me passaria a mão pela testa quando eu estivesse adormecido e me diria: “não te deixarei morrer, David Crockett!” E, não só por isso, eu sobreviria a todos os combates. Banal, elementar.
Porém, mais tarde, comecei a compreender mais coisas sobre as emboscadas, os combates e o comportamento das índias perante os guerreiros inconscientes. Foi aí que percebi que toda a minha interpretação daquela cena estava errada: o David Crockett representava sim a minha infância, a minha crença de criança numa vida de aventuras, de descobertas, de riscos e de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre. (…)”
Miguel Sousa Tavares, Não Te Deixarei Morrer, David Crockett

Selecciona a opção correcta para cada questão.

1. Com a afirmação “esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre” , o autor quer dizer que
a. se sentia marcado para toda a vida por aquela frase e aquela cena.
b. transportava consigo, sempre que viajava, um livro de David Crockett.
c. se lembrava daquela frase e daquela cena sempre que viajava.
d. tinha aquela frase gravada na pasta que usava em viagem.

2. Na frase iniciada por “Foi aí que” , o autor assinala o momento em que
a. leu a história aventurosa e acidentada do desbravador David Crockett.
b. tomou consciência de que David Crockett era o símbolo da sua infância.
c. sentiu a necessidade de preservar na memória o herói David Crockett.
d. julgou que era David Crockett, o mítico combatente de Forte Álamo.

3. A perífrase verbal em “e ao longo dos últimos anos fui publicando” traduz uma acção
a. momentânea, no passado.
b. repetida, do passado ao presente.
c. apenas começada, no passado.
d. posta em prática, no momento.

4. A locução “para que” permite estabelecer na frase uma relação de
a. causalidade.
b. completamento.
c. finalidade.
d. retoma.

5. O uso do travessão duplo justifica-se pela necessidade de
a. destacar uma explicitação.
b. registar falas em discurso directo.
c. marcar alteração de interlocutor.
d. sinalizar uma conclusão.

6. O uso repetido do nome “David Crockett”
a. constitui um mecanismo de coesão lexical.
b. assegura a progressão temática.
c. constitui um processo retórico.
d. assegura a coesão interfrásica do texto.

7. Assinala se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F):
a. No segmento textual “lembro-me de estar deitado” o verbo constitui uma referência deíctica textual.
b. O constituinte “inconsciente” em “Nessa história, o David Crockett (…) ficava inconsciente” desempenha, na frase, a função de predicativo do sujeito.
c. Os vocábulos “batalha” e “combates” mantêm entre si uma relação de antonímia.
d. O antecedente do pronome relativo “que” é “uma índia muito bonita” .
e. Em “molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma” , as formas verbais “molhando”, “tratando” e “vigiando” traduzem o modo continuado como a índia cuidava de David Crockett.
f. Na frase “ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro” , os adjectivos têm um valor restritivo.
g. Em “não te deixarei morrer, David Crockett” , “te” e “David Crockett” são referências deícticas pessoais.
h. Na frase “preservei-as à luz do seu significado mais óbvio” , o referente de “as” é “esta frase e esta cena” .
i. A frase “que vigiaria o meu sono” é subordinada relativa restritiva.
j. O conector “Porém” introduz uma relação de oposição entre o que anteriormente foi dito e a ideia exposta posteriormente.

III


Selecciona apenas uma hipótese e constrói um texto coerente entre cento e cinquenta e duzentas palavras:

a. Comenta o cartoon tendo em conta o excessivo uso do telemóvel e a sua influência na vida dos jovens da tua idade.


b. Observa a vinheta apresentada e, num texto argumentativo-expositivo, reflecte sobre as relações entre pais e filhos.
(as imagens não puderam ser carregadas. Porém, considero que as questões são simples).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

TESTE DE AVALIAÇÃO SOBRE "MEMORIAL DO CONVENTO"


I
A
Leia o texto com atenção e responda às questões que se seguem.


“Enfim o rei bate na testa, resplandece-lhe a fronte, rodeia-o o nimbo da inspiração, E se aumentássemos para duzentos frades o convento de Mafra, quem diz duzentos, diz quinhentos, diz mil, estou que seria uma acção de não menor grandeza que a basílica que não pode haver. O arquitecto ponderou, Mil frades, quinhentos frades, é muito frade, majestade, acabávamos por ter de fazer uma igreja tão grande como a de Roma, para lá poderem caber todos, Então, quantos, Digamos trezentos, e mesmo assim já vai ser pequena para eles a basílica que desenhei e está a ser construída, com muitos vagares, se me é permitido o reparo, Sejam trezentos, não se discute mais, é esta a minha vontade, Assim se fará, dando vossa majestade as necessárias ordens.
Foram dadas. (…) D. João V levantou-se da sua cadeira, beijou a mão do provincial, humildando o poder da terra ao poder do céu, e quando se tornou a sentar repetiu-se-lhe o halo em redor da cabeça, se este rei não se cautela acaba santo.
Retirou-se rasando vénias João Frederico Ludovice para ir reformar os desenhos, recolheu-se o provincial
[1] à província para ordenar os actos congratulatórios adequados e dar a boa nova, ficou o rei, que está em sua casa, agora esperando que regresse o almoxarife[2] que foi pelos livros da escrituração, e quando ele volta pergunta-lhe, depois de colocados sobre a mesa os enormes in-fólios[3], Então diz-me lá como estamos de deve e haver. O guarda-livros leva a mão ao queixo parecendo que vai entrar em meditação profunda, abre um dos livros como para citar uma decisiva verba, mas emenda ambos os movimentos e contenta-se com dizer, Saiba vossa majestade de que, haver, havemos cada vez menos, e dever, devemos cada vez mais, Já o mês passado me disseste o mesmo, E também o outro mês, e o ano que lá vai, por este andar ainda acabamos por ver o fundo ao saco, majestade, Está longe daqui o fundo dos nossos sacos, um no Brasil, outro na Índia, quando se esgotarem vamos sabê-lo com tão grande atraso que poderemos então dizer, afinal estávamos pobres e não sabíamos, Se vossa majestade me perdoa a o atrevimento, eu ousaria dizer que estamos pobres e sabemos, Mas, graças sejam dadas a Deus, o dinheiro não tem faltado, Pois não, e a minha experiência contabilística lembra-me todos os dias que o pior pobre é aquele a quem o dinheiro não falta, isso se passa em Portugal, que é um saco sem fundo, entra-lhe o dinheiro pela boca e sai-lhe pelo cu, com perdão de vossa majestade, Ah, ah, ah, riu o rei, essa tem muita graça, sim senhor, queres tu dizer na tua que a merda é dinheiro, Não, majestade, é o dinheiro que é merda, e eu estou em muito boa posição para o saber, de cócoras, que é como sempre deve estar quem faz as contas do dinheiro dos outros. Este diálogo é falso, apócrifo[4], calunioso, e também profundamente imoral, não respeita o trono nem o altar, pões um rei e um tesoureiro a falar como arrieiros em taberna, só faltava que os rodeassem inflamâncias de maritornes[5], seria um desbocamento completo, porém, isto que se leu é somente a tradução moderna do português de sempre, posto o que disse o rei, A partir de hoje, passas a receber vencimento dobrado para que te não custe tanto fazer força, Beijo as mãos de vossa majestade, respondeu o guarda-livros.”
José Saramago, Memorial do Convento

1. Indica as características da personalidade do rei presentes neste excerto, exemplificando com elementos textuais.
2. Explica, por palavras tuas, o sentido das expressões sublinhadas no contexto em que estão inseridas:
· “(…) ainda acabamos por ver o fundo ao saco(…)”
· “(…) isso se passa em Portugal, que é um saco sem fundo (..)”
3. A complexidade do estatuto do narrador de Memorial do Convento está bem presente nesta passagem da obra.
3.1. Aponta dois momentos em que o narrador utiliza um tom irónico em relação ao rei.
3.2. Sinaliza as passagens em que o narrador, assumindo a sua omnisciência, reflecte sobre a sua própria escrita.

4. Como sabes, o verbo haver, conforme o seu significado, pode empregar-se em todas as pessoas ou apenas na 3ª pessoa do singular.
4.1. Indica em qual das frases o verbo haver está na pessoa errada:
a. O rei entedia que eles haviam de construir um convento maior.
b. A gastar daquele modo, eles haverão de ver o fundo ao saco.
c. Foram muitos os governantes que se houveram com o mesmo problema.
d. O dinheiro não era problema, pois haviam dois sacos aonde ir buscá-lo.
e. Havia já alguns anos que as dívidas iam aumentando.

B
Pela leitura que fizeste de Memorial do Convento, comenta, num texto de sessenta a oitenta palavras, a relação amorosa de Baltasar e Blimunda por oposição à que o rei e a rainha mantêm.
II
A. Lê o texto que se segue e selecciona a alínea correcta para cada questão:
“Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando (…). A estranheza do título justifica uma explicação, para que ele não passe como um mero exercício de estilo.
Quando era pequeno — muito pequeno, talvez oito ou dez anos — lembro-me de estar deitado na banheira, em casa dos meus pais, a ler um livro de quadradinhos. Era uma aventura do David Crockett, o desbravador do Kentucky e do Tenessee, que haveria de morrer na mítica batalha do Forte Álamo. Nessa história, o David Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, havia uma índia muito bonita — uma “squaw”, na literatura do Far-West — que cuidava dele, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: “não te deixarei morrer, David Crockett!”
Não sei porquê, esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre, quase obsessivamente. Durante muito tempo, preservei-as à luz do seu significado mais óbvio: eu era o David Crockett, que queria correr mundo e riscos, viver aventuras e desvendar Tenessees. Iria, fatalmente, sofrer, levar pancada e ficar, por vezes inconsciente. Mas ao meu lado haveria sempre uma índia, que vigiaria o meu sono e cuidaria das minhas feridas, que me passaria a mão pela testa quando eu estivesse adormecido e me diria: “não te deixarei morrer, David Crockett!” E, não só por isso, eu sobreviria a todos os combates. Banal, elementar.
Porém, mais tarde, comecei a compreender mais coisas sobre as emboscadas, os combates e o comportamento das índias perante os guerreiros inconscientes. Foi aí que percebi que toda a minha interpretação daquela cena estava errada: o David Crockett representava sim a minha infância, a minha crença de criança numa vida de aventuras, de descobertas, de riscos e de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre. (…)”
Miguel Sousa Tavares, Não Te Deixarei Morrer, David Crockett

Selecciona a opção correcta para cada questão.

1. Com a afirmação “esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre”, o autor quer dizer que
a. se sentia marcado para toda a vida por aquela frase e aquela cena.
b. transportava consigo, sempre que viajava, um livro de David Crockett.
c. se lembrava daquela frase e daquela cena sempre que viajava.
d. tinha aquela frase gravada na pasta que usava em viagem.

2. Na frase iniciada por “Foi aí que” , o autor assinala o momento em que
a. leu a história aventurosa e acidentada do desbravador David Crockett.
b. tomou consciência de que David Crockett era o símbolo da sua infância.
c. sentiu a necessidade de preservar na memória o herói David Crockett.
d. julgou que era David Crockett, o mítico combatente de Forte Álamo.

3. A perífrase verbal em “e ao longo dos últimos anos fui publicando” traduz uma acção
a. momentânea, no passado.
b. repetida, do passado ao presente.
c. apenas começada, no passado.
d. posta em prática, no momento.

4. A locução “para que” permite estabelecer na frase uma relação de
a. causalidade.
b. completamento.
c. finalidade.
d. retoma.

5. O uso do travessão duplo justifica-se pela necessidade de
a. destacar uma explicitação.
b. registar falas em discurso directo.
c. marcar alteração de interlocutor.
d. sinalizar uma conclusão.

6. O uso repetido do nome “David Crockett”
a. constitui um mecanismo de coesão lexical.
b. assegura a progressão temática.
c. constitui um processo retórico.
d. assegura a coesão interfrásica do texto.

7. Assinala se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F):
a. O segmento textual “Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando” constitui um acto ilocutório directivo.
b. O constituinte “inconsciente” em “Nessa história, o David Crockett (…) ficava inconsciente” desempenha, na frase, a função de predicativo do sujeito.
c. Os vocábulos “batalha” e “combates” mantêm entre si uma relação de antonímia.
d. O antecedente do pronome relativo “que” é “uma índia muito bonita” .
e. Em “molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma”, as formas verbais “molhando”, “tratando” e “vigiando” traduzem o modo continuado como a índia cuidava de David Crockett.
f. Na frase “ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro” ,os adjectivos têm um valor restritivo.
g. Em “não te deixarei morrer, David Crockett” ,“te” e “David Crockett” são referências deícticas pessoais.
h. Na frase “preservei-as à luz do seu significado mais óbvio” , o referente de “as” é “esta frase e esta cena” .
i. A frase “que vigiaria o meu sono” é subordinada relativa restritiva.
j. O conector “Porém” introduz uma relação de oposição entre o que anteriormente foi dito e a ideia exposta posteriormente.

III
Selecciona apenas uma hipótese e constrói um texto coerente entre cento e cinquenta e duzentas palavras:
a. Reflecte sobre os malefícios da televisão e da vida sedentária.
b. Elabora um texto onde tenhas em conta as alterações climáticas, o aquecimento global, as tuas preocupações ambientais e o que fazes para melhorar o mundo.
c. Considera, no romance Memorial do Convento, de José Saramago, a relação entre o título e o conteúdo e refere a importância que o aspecto mencionado assume no universo da obra.



Notas de rodapé:
[1] Superior religioso de uma província eclesiástica
[2] Tesoureiro da casa real.
[3] Livro ou volume com formato de folha de impressão dobrada ao meio.
[4] Não autêntico
[5] “Maritornes”- personagem de D. Quixote, criada asturiana numa hospedaria, bem feita de corpo, mas feia e ordinária; “inflamâncias”- exaltações, entusiasmos.
BOM TRABALHO!!!!
A professora: Lucinda Cunha

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Teste sobre Os Maias, 11º ano

Os testes do Secundário seguem a estrutura dos Exames Nacionais:
I
A

Lê atentamente o texto que se segue.

“Vilaça, sem óculos, um pouco arrepiado, passava a ponta da toalha molhada pelo pescoço, por trás da orelha, e ia dizendo:
− Então o nosso Carlinhos não gosta de esperar, hem? Já se sabe, é ele quem governa… Mimos e mais mimos, naturalmente…
Mas o Teixeira, muito grave, muito sério, desiludiu o Sr. administrador. Mimos e mais mimos, dizia Sua Senhoria? Coitadinho dele, que tinha sido educado com uma vara de ferro! Se ele fosse a contar ao Sr. Vilaça! Não tinha a criança cinco anos já dormia num quarto só, sem lamparina; e todas as manhãs, zás, para dentro de uma tina de água fria, às vezes a gear lá fora… E outras barbaridades. Se não soubesse a grande paixão do avô pela criança, havia de se dizer que a queria morta. Deus lhe perdoe, ele, Teixeira, chegara a pensá-lo… Mas não, parece que era sistema inglês! Deixava-o correr, cair, trepar às árvores, molhar-se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro. E depois o rigor com as comidas! Só a certas horas e de certas coisas… e às vezes a criancinha com os olhos abertos, a aguar! Muita, muita dureza!
E o Teixeira acrescentou:
− Enfim, era a vontade de Deus, saiu forte. Mas que nós aprovássemos a educação que tem levado, isso nunca aprovámos, nem eu, nem a Gertrudes.
Olhou outra vez o relógio, preso por uma fita negra sobre o colete branco, deu alguns passos lentos pelo quarto: depois, tomando de sobre a cama a sobrecasaca do procurador, foi-lhe passando a escova pela gola, de leve e por amabilidade, enquanto dizia, junto ao toucador onde o Vilaça acamava as duas longas repas sobre a calva:
− Sabe Vossa Senhoria, apenas veio o mestre inglês, o que lhe ensinou? A remar! A remar, Sr. Vilaça, como um barqueiro! Sem contar o trapézio, e as habilidades de palhaço; eu nisso nem gosto de falar… Que eu sou o primeiro a dizê-lo: o Brown é boa pessoa, calado, asseado, excelente músico. Mas é o que eu tenho repetido à Gertrudes: pode ser muito bom para inglês, mas não é para ensinar um fidalgo português… Não é. Vá Vossa Senhoria falar a esse respeito com a Sr.ª D. Ana Silveira…
Bateram de manso à porta, o Teixeira emudeceu. Um escudeiro entrou, fez sinal ao mordomo, tirou-lhe do braço respeitosamente a sobrecasaca, e ficou com ela junto do toucador, onde o Vilaça, vermelho e apressado, lutava ainda com as repas rebeldes.
O Teixeira, da porta, disse com o relógio na mão:
− É o jantar. Tem Vossa Senhoria dois minutos, Sr. Vilaça.
E o administrador daí a um momento abalava também, abotoando ainda o casaco pelas escadas.
Os senhores já estavam todos na sala. Junto do fogão, onde as achas consumidas morriam na cinza branca, o Brown percorria o Times. Carlos, a cavalo nos joelhos do avô, contava-lhe uma grande história de rapazes e de bulhas; e ao pé o bom abade Custódio, com o lenço de rapé esquecido nas mãos, escutava, de boca aberta, num riso paternal e terno.
− Olhe quem ali vem abade – disse-lhe Afonso.
O abade voltou-se, e deu uma grande palmada na coxa:
− Esta é nova! Então é o nosso Vilaça! E não tinham dito nada! Venham de lá esses ossos, homem!...
Carlos pulava nos joelhos do avô, muito divertido com aqueles longos abraços que juntavam as duas cabeças dos velhos – uma com as repas achatadas sobre a calva, outra com uma grande coroa aberta numa mata de cabelo branco.”
Eça de Queirós, Os Maias



1. Situa a acção no espaço e refere o motivo que levou Afonso da Maia a instalar-se naquele local.
2. Explicita a expressividade das comparações usadas pelo Teixeira, quando este se refere à educação de Carlos.
3. “Vá Vossa Senhoria falar a esse respeito com a Sr.ª D. Ana Silveira…”. Refere em que medida a educação de Carlos e a de Eusebiozinho diferem e como é que essas diferenças vão condicionar o futuro de ambos.
4. Explica a expressividade dos diminutivos sublinhados e dá exemplos de um uso diferenciado, também nesta obra.
B

“O Realismo surgiu para combater o Romantismo.”
Num texto entre 60 a 100 palavras, comenta a afirmação transcrita, num texto bem estruturado.

II
Lê atentamente o seguinte texto:


A Biblioteca Nacional comprou em Junho um conjunto de manuscritos de Eça de Queirós desaparecidos há mais de 100 anos e que se julgavam perdidos. A compra foi em tudo especial: por causa da surpresa, mas também do dinheiro investido.
Os documentos são os manuscritos do livro A Correspondência de Fradique Mendes, no qual Eça de Queirós estava a trabalhar quando morreu (em 1900) (…).
O conjunto inclui mais de 300 páginas de provas de tipografia, recortes de jornal e manuscritos (a maioria), e já foi limpo e reparado.
A Biblioteca Nacional (BN) comprou-o num leilão por 50 mil euros, quase metade do orçamento anual para compras de obras raras. (…)
Este é talvez o último manuscrito importante de Eça que ainda estava em mãos privadas (pertencia à biblioteca de Salema Garção) e surgiu – para total surpresa dos especialistas – depois de 30 anos de um deserto quase total.
Desde 1975, quando a BN comprou o espólio de Eça (14 caixas), o Estado adquiriu apenas algumas páginas e pequenos fragmentos de pequena importância. (…) Especialistas de “várias sensibilidades” confirmaram a autenticidade e a importância dos manuscritos, perante isso, [o director da BN] sentiu que tinha de ir “o mais alto possível, quem sabe além do possível e imaginário”. (…)
Carlos Fradique Mendes, a personagem do livro, “apresentou-se ao público português em Agosto de 1869 com quatro poemas ditos ‘satânicos’, que fizeram sensação”, diz Irene Fialho, da equipa para a edição crítica das obras de Eça. As poesias eram uma criação colectiva de Eça, Antero de Quental e Batalha Reis. Eça, porém, deu várias vidas a Fradique e trabalhou a personagem ao longo de 20 anos e até morrer.
Logo em 1870, Fradique surge em o Mistério da Estrada de Sintra (que Eça publicou com Ramalho Ortigão) e aí já não é só um poeta mas um “homem verdadeiramente original, superior, que toca violoncelo na perfeição”, diz Fialho.
E não se ficou por aqui. Quinze anos depois, com mais “biografia e intelecto”, Fradique surge de novo, agora através de um narrador anónimo que primeiro o achou pedante e depois ficou fascinado. E só depois Eça começa então a montar os manuscritos que resultaram no livro A Correspondência de Fradique Mendes – publicado já depois da sua morte – e que são os que a Biblioteca comprou. (…)
A personagem de Fradique, considerada “um marco de modernidade literária”, tem alguns traços em comum com Eça, um perfeccionista. “Enviesadamente (em registo ficcional e paródico) há em Fradique alguma coisa do Eça obcecado pela perfeição”, diz Carlos Reis. Um Eça que reescreveu vários dos seus livros.” (…)
Bárbara Reis, “Cadernos Público na Escola”, in Público, 10 de Outubro de 2004 (texto com supressões)

1. Identifica a alínea correcta:

1.1. A aquisição dos manuscritos do livro A Correspondência de Fradique Mendes

a) foi uma opção de aquisição banal para a Biblioteca Nacional.
b) constituiu um acontecimento esperado para os especialistas.
c) representou um esforço económico inédito para a Biblioteca Nacional.

1.2. Os manuscritos mais importantes de Eça

a) encontram-se distribuídos entre o estado e privados.
b) encontram-se todos na posse do estado.
c) encontram-se dispersos por vários proprietários, portugueses e estrangeiros.

1.3. Inicialmente uma personagem de criação colectiva, a personagem Fradique Mendes

a) passou a personagem frequente de grande parte da ficção queirosiana.
b) apresenta traços comuns, em registo romântico, com Eça de Queirós.
c) foi longa e laboriosamente trabalhada por Eça de Queirós.

1.4. De acordo com Carlos Reis,

a) a semelhança entre Eça e Fradique é obvia, pese embora o registo parodístico.
b) enquanto escritor, Eça tinha um nível de auto-exigência absolutamente mediano.
c) a relação entre Fradique e Eça é questionável.


2. Diz se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F):

a. A deixis pessoal é assinalada através dos pronomes pessoais e possessivos e da flexão verbal.
b. Os deícticos temporais estão presentes através dos tempos verbais e de locuções adverbiais temporais.
c. A deixis discursiva recorre a advérbios e locuções adverbiais de lugar e aos demonstrativos.
d. Entende-se por deixis o fenómeno de referenciação que permite estabelecer a relação formal de enunciação de uma mensagem por um sujeito, num espaço e num tempo determinado.
e. A catáfora é a expressão referencialmente não autónoma que retoma, total ou parcialmente, o valor referencial do antecedente.


3. Responde às questões.

3.1. Os verbos impessoais não possuem sujeito, sendo apenas usados na terceira pessoa do singular. Assinala as frases que achares que estão incorrectas:

a) Na conferência, haviam vários participantes vindos de África.
b) Houveram momentos dramáticos durante a operação de salvamento.
c) Fazem dois meses que ele partiu.
d) Penso que devem haver mais doentes infectados.

3.2. Assinala a frase que está mal construída:
a) Faz frio.
b) Devem haver mais pães na cozinha.
c) Havia motivos para ele estar zangado.
d) Faz hoje uma semana que regressei do Brasil.



3.3. Assinala a alínea em que há um erro:
a) Eles haveriam de recordar aquela conversa uns tempos mais tarde.
b) Ao som da música, houve pessoas que dançaram toda a noite.
c) Eles defendiam que deviam haver leis mais duras contra a corrupção.
d) Era melhor afastarem-se, pois podia haver complicações.

3.4. Assinala a alínea em que há um erro de concordância verbal:
a) Fui eu que pediu para ser recebido pelo Capitão.
b) A maior parte das pessoas vivia na miséria.
c) Eram quase dez horas da noite.
d) Tu és quem representa todos nós.

III
Comenta o cartoon que se segue num texto entre 160 e 200 palavras.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

TESTE DE AVALIAÇÃO SOBRE O TEXTO POÉTICO

Escola EB 2,3/S Dr. Bento da Cruz- Montalegre
Teste Sumativo de Língua Portuguesa, 8º Ano, Turma____ , Data________________

1. Lê com atenção o poema seguinte e responde às questões:

MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram
!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

( Fernando Pessoa, em Mensagem)


a) Diz qual é o assunto deste poema. (6 pts)
b) A quem se dirige o sujeito poético? (6 pts)
c) Procura explicar o sentido das expressões a negro no texto. (10 pts)
d) Dá a tua opinião, respondendo à pergunta: “Valeu a pena?” (10 pts)
e) Faz o esquema rimático do poema. (6 pts)
f) A rima é masculina ou feminina? Justifica a tua resposta. (6 pts)
g) Refere a figura de estilo presente nos versos três, quatro e cinco. (3 pts)
h) Diz, justificando, se é pobre ou rica a rima entre os dois primeiros versos da segunda estrofe. (6 pts)
i) Faz a divisão por sílabas métrica dos três primeiros versos e dá as suas definições quanto à métrica. (9 pts).
j) Identifica o tipo de estrofes. (4 pts)
k) Refere o que significa “campo semântico” e exemplifica com frases em que utilizes a palavra “mar” (no mínimo três frases). (9 pts)


2. Cria um poema, não esquecendo as seguintes indicações: ( 25 pts)
a. Tem de ser composto por duas quadras, um terceto e um monóstico (por esta ordem) ;
b. O tema do poema será o amor, a natureza ou a solidão (escolhe um tema);
c. A rima deverá ser cruzada;
d. Deves usar uma metáfora, uma comparação e uma aliteração.
e. Não te esqueças de dar um título ao teu poema.

Bom trabalho!
A professora: Lucinda Cunha

terça-feira, 3 de março de 2009

Teste de avaliação sobre FALAR VERDADE A MENTIR

ESCOLA BÁSICA DO 2ºE 3º CICLOS DR BENTO DA CRUZ

TESTE SUMATIVO DE LÍNGUA PORTUGUESA
8º ano, Turma ____ Ano Lectivo: 2008/ 2009
Nome :
I

Lê o excerto que se segue com atenção:

CENA XII
JOAQUINA (só)Pobre rapaz! ficou como pateta! Se ele não está costumado a isto... Condenado a falar verdade vinte e quatro horas a fio... Também, olhe que nos dá um trabalho! Porque mente com um desembaraço e sem a menor consideração... Já se tinha esquecido da peta do almoço. Felizmente que nós estamos prevenidos, e graças ao bolsinho de minha ama e à vizinhança do Manuel Espanhol, em poucos minutos se fez da peta verdade... E José Félix! Não verão o meco sentado à mesa com meus amos como se fosse gente, o pedaço de lacaio!... Mas deixem estar que o tratante tem um ar, sabe tomar uns modos, que quem o não conhecer!... Em que ele se deita a perder decerto, é que aquilo é um comilão... 0 que lhe vale é fazer de inglês... não se repara. - Agora que mais falta? Vejamos. A tal visita de agradecimento ao general Lemos: essa não se pode evitar. Só se... É verdade; o General Lemos que venha cá... como têm vindo os outros. Vou avisar José Félix que se avie de almoçar e nos represente mais esse figurão. Não lhe há-de custar muito... é seu amo. -Ai! que é isto, que quer este senhor?

CENA XIII
JOAQUINA e o GENERAL
GENERAL - 0 Senhor Duarte Guedes está aqui, não é assim?JOAQUINA - Está, sim, senhor, foi agora para a mesa almoçar com o Senhor Brás Ferreira, seu sogro que está para ser.GENERAL - Um almoço de família, almoço de noivos. Não permita Deus que eu tal perturbe. Esperarei.JOAQUINA - Se faz favor de dizer o seu nome.GENERAL - Não é preciso.JOAQUINA - Não é para saber... é que se fosse coisa que... GENERAL - É coisa que eu lhe quero dizer só a ele ou a seu sogro. JOAQUINA - Como queira. Almeida Garrett, Falar Verdade a Mentir

A- Partindo da leitura das duas cenas e do conhecimento da obra, responde às seguintes questões:
1. Quais são as outras personagens da peça?
2. Joaquina diz: “É verdade; o general Lemos que venha cá…como têm vindo os outros.”
2.1. Por que razão há-de ir lá o general Lemos?
2.2. Quem são “os outros” a quem ela se refere?
3. Transcreve expressões de dois níveis de língua diferentes.
4. Refere, destas cenas, a personagem que irá contribuir para a resolução do conflito.
4.1. Resume a sua intervenção nas cenas seguintes.
5. Indica os modos de apresentação das falas das personagens presentes nas duas cenas.
6. Faz o levantamento dos elementos que nos dizem tratar-se de um texto dramático.
7. Justifica o título da obra.

B- Completa as seguintes frases de acordo com a leitura que fizeste da obra.
1. Toda a acção decorre______________________
2. Brás Ferreira é um negociante do Porto que tem _________________________
3. Duarte tem o costume de ___________________________________________
4. No dia do casamento de Amália, Joaquina receberia __________________________
5. José Félix, para ajudar Duarte, representou os papéis de __________________________
6. O coronel Luís Guedes é __________________________________________
7. O General é o amo de _________________________________________
8. A peça retrata a sociedade do século _________________________________
II

Forma palavras da mesma família da indicada:

Ar
Lua
Flor
Fogo




Refere o processo de formação das palavras apresentadas:
a) desamor
b) pereira/ Pereira
c) vaivém
d) amoroso
e) estrela-do-mar


Nas frases que se seguem, substitui o complemento directo por um pronome pessoal, fazendo as transformações necessárias:
a) Os meus pais compraram a árvore de Natal no mercado.
b) O Luís e o Pedro fizeram os deveres rapidamente.
c) A minha prima diz sempre a verdade.
d) Ontem, os meus colegas visitaram o Museu da Água.
e) A Elsa foi escolher um vestido.
f) O menino pôs um chapéu no espantalho.


Identifica os constituintes da oração:


a) Ontem ninguém dormiu.
Exemplo:
Ontem ___________________________
ninguém _________________________
dormiu __________________________

b) José Manuel, o pai, chegou a casa cedo.


c) O Pedro obedece à mãe pacificamente.


d) Tu és um chato!


e) O inspector investigou o caso.





III

Dos três temas apresentados selecciona apenas um. Não te esqueças de o identificares devidamente:

Antes de começares a escrever, toma atenção às instruções que se seguem.
Escreve um mínimo de 140 e um máximo de 200 palavras. Para efeito de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência entre dois espaços em branco (ex.: Deram-me isto em 1998. – quatro palavras).
Procura organizar as ideias de forma coerente e exprimi-las correctamente.
Se fizeres rascunho, não te esqueças de copiar o texto para a folha do teste, pois só será classificado o que estiver escrito nesta folha.
Revê o texto com cuidado e corrige-o se necessário.



A- Imagina que Amália, desiludida com o noivo, decide terminar o namoro. Escreve uma cena, em monólogo, onde Amália expressa os seus sentimentos.
B- Imagina um final diferente para a obra, em diálogo, com as personagens que preferires.
C- Na cena III, Duarte, ao conversar com o sogro, desenvolve um rol de mentiras. Substitui-as por outras, ao teu gosto. Para isso terás que criar uma nova cena, diferente daquela, em que apenas falam estas duas personagens.



BOM TRABALHO!!!!
A docente : Lucinda Cunha

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Teste sobre a obra d' O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá


ESCOLA BÁSICA DO 2ºE 3º CICLOS DR BENTO DA CRUZ

TESTE SUMATIVO DE LÍNGUA PORTUGUESA
8º ano, Turma ____ Ano Lectivo: 2008/ 2009
Nome : _________________________ nº ____ Data ____/ ____/ ____
A Professora: __________________________ O E.E. ______________

Avaliação ___________________________________________

I (40 pts)

Lê o texto com atenção e responde às perguntas com frases completas:


“Os pais de Sinhá haviam saído em busca de alimento. A andorinha tinha visto o Gato vir vindo e o esperava sorridente. Gato Malhado pára embaixo da árvore, espia, descobre a Andorinha. Foi então que percebeu onde havia chegado, sem se dar conta. Dana-se. Que faço eu aqui? Resolve voltar rapidamente (diabo! Seus pés, de tão pesados, pareciam ter chumbo grudado), mas a Andorinha falou com sua doce voz.
_ Não me diz bom dia, seu mal-educado?
_ Bom dia Sinhá… _ havia até certo acento harmonioso na voz cava do Gato.
_ Senhorita Sinhá, faça o favor.
E, como ele fizesse uma cara triste (era ainda mais triste quando ficava triste) ela concedeu.
_ Vá lá… Pode me chamar de Sinhá se isso lhe dá prazer… E eu lhe chamarei de Feio.
_ Já lhe disse que não sou feio.
_ Puxa! Que convencido! É a pessoa mais feia que eu conheço. Junto de você minha madrinha Coruja é prêmio de beleza…
Afinal que fazia ele ali? Pensava o Gato Malhado. Aquela jovem Andorinha, apenas uma adolescente, não o trata com devido respeito (será mesmo que ele desejava que ela o tratasse com respeito?), insulta-o, agride-o, chama-o de feio. Era o resultado de ter dado confiança a uma jovem andorinha qualquer. Que era ela senão uma estudante, aluna de religião do Papagaio, que podia ter na cabeça, que espécie de conversa podia manter com ele, um gato sério, viajado, que se considerava um ser superior, mais culto do que toda a gente do parque e que se achava _ principalmente_ um gato bonito? Resolveu retirar-se e nunca mais voltar a falar àquela desrespeitosa andorinha (ah! Seus pés como chumbo, como se tivessem toneladas de chumbo…). Faz um esforço:
_ Até logo…
_ Está aí, se ofendeu… Ainda é mais convencido do que feio…
Por que diabo ele começa a achar graça? Agora não eram apenas os pés que já não lhe obedeciam, também a boca se abria em riso quando ele queria ficar sério, com um ar zangado. Uma vasta conspiração contra o Gato Malhado.”
Amado, Jorge, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor


1. Por que razão se pode considerar que o excerto transcrito narra um momento importante da história de amor entre o Gato e a Andorinha? (8 pts)
Este momento é importante, para a história de amor entre o Gato e a Andorinha, pois narra o momento em que estes se conheceram.
2. Em que estação do ano decorre a acção? (6 pts)
A acção decorre na Primavera.
3. Indica o local onde o Gato e a Andorinha se conheceram. (6 pts)
Eles conheceram-se no parque.
4. Atenta nas duas personagens principais.
4.1. Através de que processo são caracterizadas? (7 pts)
São caracterizados através da caracterização directa.
4.2. Faz a caracterização de ambos de acordo com a obra que leste. (13 pts)
Gato: Mau, feio, tem riscas amarelas e pretas,grande,arrogante, ágil, antipático, violento, insensível, não tem amigos (excepto a Coruja), é um gato de meia-idade...
Andorinha: jovem, adolescente, simpática, corajosa, extrovertida, aventureira, conversadora...

II (45 pts)

1. Identifica os recursos expressivos presentes nas frases que se seguem: (10 pts)

a. “acento harmonioso na voz cava do Gato”
adjectivação
b. “O Gato fez a cara mais triste do mundo”
hipérbole
c. “seus pés, de tão pesados, pareciam ter chumbo grudado” comparação
d. “também a boca se abria em riso quando ele queria ficar sério”
antítese
e. “lindo bailado primaveril”
adjectivação

2. No excerto tornam-se evidentes as diferenças entre o português de Portugal e o do Brasil:
2.1. Apresenta um sinónimo para cada uma das seguintes palavras retiradas da história: “sumir”, “grama”, “capim” e “grudado”. (6 pts)
desaparecer, relva, erva, colado
2.2. Faz a correspondência para a ortografia do português-padrão de Portugal dos vocábulos “vôo" e “prêmio”.(4 pts) voo, prémio
2.3. Que outras diferenças encontras neste excerto entre as duas variantes da nossa língua? Apresenta um exemplo para cada diferença. (7 pts)


3. Faz a análise sintáctica dos excertos sublinhados que se seguem referindo se se trata do sujeito, predicado, complemento directo, complemento indirecto, atributo, predicativo do sujeito ou um complemento circunstancial ( de lugar, tempo, modo, causa, companhia, fim, meio/ instrumento): (18 pts)

a. “Era ainda mais feio quando ficava triste.”
predicativo do sujeito e c. c. de causa
b. “Gato Malhado pára embaixo da árvore, espia, descobre a Andorinha.”
c. c. lugar e complemento directo
c. “A Andorinha falou com sua voz doce.”
c. c. meio/instrumento
d. “Pensava o Gato Malhado…”
sujeito
e. “O Gato fez a cara mais triste do mundo.”
complemento directo
f. “Enquanto atravessava agilmente por entre o mato.”
c. c. modo e c. c. lugar
III (15 pts)

Dos dois temas apresentados, desenvolve apenas um (entre 100 e 130 palavras):

a) Certamente achaste que o final da história do Gato e da Andorinha foi trágico. Inventa um final diferente.
b) Imagina que, em vez de ser a Andorinha a casar com o Rouxinol, foi o Gato que se casou com uma coelha branca, jovem e linda!

BOM TRABALHO!!!!!

A Professora: Lucinda Cunha

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Teste diagnóstico de 8º ano

ESCOLA BÁSICA DO 2ºE 3º CICLOS DR BENTO DA CRUZ

TESTE DIAGNÓSTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA
8º ano, Turma ____ Ano Lectivo: 2008/ 2009
Nome : _______________ nº __ Data __/ __/ __
A Professora: ________________ O E.E. ________________


Lê o texto com atenção e responde às perguntas com frases completas:

I

O BULE DE CHÁ


Num dos importantes ___________ da capital da China, ao lado de várias preciosidades de porcelana, está em exposição um velho bule de chá sem tampa que tem uma história engraçada que vou aqui _____________.
Há alguns séculos atrás existiu, na China, um Imperador que gostava muito de ____________ cartas. Mas como não podia jogar sozinho, ordenou a um dos seus ministros que lhe mandasse todos os dias ao palácio um jogador para seu companheiro de jogo.
O ministro, porém, nunca mais apareceu com o jogador.
─ Porque é que não me trazes um bom ____________ de cartas, entre tantos que há na China? ─ perguntou-lhe o Imperador.
─ Saiba Vossa Majestade que todos aqueles com quem falei são ________________.
─ Então porque ainda não mos trouxeste?
─ Com medo de que, em vez de Vossa Senhoria, sejam eles a ganhar.
─ Ora! Cartas são nada mais nada menos que uma questão de arte. Vai, pois, buscar o ______________ de todos e trá-lo cá amanhã. Se ele ganhar, eu não me zango não. Antes pelo contrário, até lhe dou uma prenda ─ e o Imperador apontou para um bule de chá que estava em cima da sua secretária. Um bule de loiça fina como __________________, leve que nem uma folha, transparente como o _________________, e que tinha um dragão de oiro de um lado e, do outro lado, uma ________________ Fénix de penas de prata e coral. Enfim, um dos mais raros tesouros do palácio imperial, esse bule.
─ Está Vossa Majestade a falar a sério? ─ perguntou o ministro que sabia quanto o Imperador ______________ o bule.
─ Claro que estou!
E no dia seguinte apareceu o ministro sozinho.
─ Então o jogador? ─ inquiriu o Imperador.
─ Tenha Vossa Majestade a bondade de hoje jogar comigo ─ respondeu o ministro a rir.
E começaram o jogo. O ministro, no entanto, usando das suas habilidades, fez com que, dentro de uma hora, o Imperador perdesse a partida.

Suspirando, então, de _____________, Sua Majestade apontou para o ministro com o dedo trémulo.
─ Mas como é que te atreveste a derrotar-me? Como?
─ Bem, Vossa Majestade tinha dito que o jogo era apenas uma ______________.
─ Sai daqui! Desaparece-me, antes que eu…!
─ O bule de chá, Vossa Majestade! O bule que prometeu?
Furioso, o Imperador agarrou na tampa do bule e arremessou-a ao ministro que entretanto fugia.
Assim, hoje, o antigo bule de chá de porcelana está no museu, sem tampa.
Maria Ondina Braga, O Jantar Chinês e Outros Contos, Ed. Caminho, 2004 (texto adaptado)


1. Coloca as palavras retiradas do texto no seu respectivo lugar:
▪ cristal ▪ arte ▪ melhor ▪ contar ▪ óptimos ▪ estimava
▪ papel ▪ museus ▪ parceiro ▪ raiva ▪ maravilhosa ▪ jogar

2. Lê as afirmações seguintes e, sobre cada uma delas, indica se é verdadeira (V), falsa (F) ou impossível de saber (?). depois corrige as afirmações falsas.

a) O narrador vai contar uma história de um bule com centenas de anos.

b) O Imperador gostava mais de jogar às cartas do que de governar.

c) No entanto, não conseguia arranjar um parceiro.

d) Quando o Imperador soube que o ministro sabia jogar propôs um jogo.

e) O ministro levou horas para conseguir vencer o Imperador.

f) Furioso, o Imperador atirou com o bule ao ministro.

g) O antigo bule ficou, assim, sem tampa.


3. Localiza a acção no espaço e no tempo.
4. Caracteriza o narrador tendo em conta a sua participação, ou não, no desenvolvimento da acção.

5. Caracteriza as duas personagens do texto.

6. Descreve o bule.

7. Identifica o recurso expressivo presente na descrição do bule.

II

1.Retira do texto:

Um nome comum
Um nome próprio
Um adjectivo
Um pronome pessoal
Um verbo no presente do indicativo
Um verbo no modo Conjuntivo
Um verbo no Pretérito Perfeito


2.Completa os espaços com em, en, im ou in:

____graçado ____comendar ____quieto ____portar ____sistir
____portante ____plicar ____trar ____balar ____alar

3.Completa com c, ç, s ou ss:

a___esso incons___iente ân___ia persegui___ão re___epção
compa___o can___ar abra___o ma___a a___eado

4.Transforma as frases afirmativas em negativas e vice-versa.

a) Não lhe telefones! b) Desliga o televisor!
c) Não lhe escrevas! d) Vai depressa!
e) Continua a andar! f) Não te vires para trás!

5.Forma nomes a partir dos verbos apresentados como se sugere pelo exemplo:

Semear-Semente
Escolher
Transplantar
Escrever
Cheirar
Rezar
Colher
Ler

6.Indica o grau em que se encontram os adjectivos nas frases que se seguem:
a) O João é o mais alto da turma. b) A Ana é muito inteligente. c) Tu és mais chato que ele. d) O TGV é rapidíssimo.

7.Conjuga os verbos nos tempos e pessoas indicados completando o seguinte quadro:

Pretérito Imperfeito do Indicativo
Pretérito Perfeito do indicativo
Condicional
Futuro

Eles dizem, Nós damos, Eu leio, Ele vem

Completa as frases com os verbos indicados entre parênteses no Presente ou no Pretérito Imperfeito do Conjuntivo:

a) Ainda que eu te __________________ (contar) a minha história, tu não acreditarias.
b) Logo que ____________________ (chegar) a casa, arruma tudo no sítio.
c) Logo que _______________ (sair) da escola, telefona-me.
d) Embora _________________ (estar) bom tempo, não vamos sair.
e) Se eu ________________ (ter) tempo, ajudar-te-ia na preparação do teste.

Completa as frases com os verbos indicados nos tempos convenientes:

a) Ontem, eu ______ (ir) ao cinema e ______ (ver) o filme cujo assunto __________ (ser) muito interessante.
b) Amanhã, os meus colegas ___________ (partir) para os Pirinéus, onde _______ (ir) praticar esqui.
c) Se os habitantes da Terra ___________ (ter) mais cuidado não poluiriam o ambiente.

III

Se necessário, volta a ler o texto para, em algumas linhas, tecer um comentário às reacções do Imperador e do seu ministro.


BOM TRABALHO!!!

A Professora: Lucinda Cunha



CORRECÇÃO DO TESTE DIAGNÓSTICO
1.

Num dos importantes museus da capital da China, ao lado de várias preciosidades de porcelana, está em exposição um velho bule de chá sem tampa que tem uma história engraçada que vou aqui contar.
Há alguns séculos atrás existiu, na China, um Imperador que gostava muito de jogar cartas. Mas como não podia jogar sozinho, ordenou a um dos seus ministros que lhe mandasse todos os dias ao palácio um jogador para seu companheiro de jogo.
O ministro, porém, nunca mais apareceu com o jogador.
─ Porque é que não me trazes um bom parceiro de cartas, entre tantos que há na China? ─ perguntou-lhe o Imperador.
─ Saiba Vossa Majestade que todos aqueles com quem falei são óptimos.
─ Então porque ainda não mos trouxeste?
─ Com medo de que, em vez de Vossa Senhoria, sejam eles a ganhar.
─ Ora! Cartas são nada mais nada menos que uma questão de arte. Vai, pois, buscar o melhor de todos e trá-lo cá amanhã. Se ele ganhar, eu não me zango não. Antes pelo contrário, até lhe dou uma prenda ─ e o Imperador apontou para um bule de chá que estava em cima da sua secretária. Um bule de loiça fina como papel, leve que nem uma folha, transparente como o cristal, e que tinha um dragão de oiro de um lado e, do outro lado, uma maravilhosa Fénix de penas de prata e coral. Enfim, um dos mais raros tesouros do palácio imperial, esse bule.
─ Está Vossa Majestade a falar a sério? ─ perguntou o ministro que sabia quanto o Imperador estimava o bule.
─ Claro que estou!
E no dia seguinte apareceu o ministro sozinho.
─ Então o jogador? ─ inquiriu o Imperador.
─ Tenha Vossa Majestade a bondade de hoje jogar comigo ─ respondeu o ministro a rir.
E começaram o jogo. O ministro, no entanto, usando das suas habilidades, fez com que, dentro de uma hora, o Imperador perdesse a partida.
Suspirando, então, de raiva, Sua Majestade apontou para o ministro com o dedo trémulo.
─ Mas como é que te atreveste a derrotar-me? Como?
─ Bem, Vossa Majestade tinha dito que o jogo era apenas uma arte.
─ Sai daqui! Desaparece-me, antes que eu…!
─ O bule de chá, Vossa Majestade! O bule que prometeu?
Furioso, o Imperador agarrou na tampa do bule e arremessou-a ao ministro que entretanto fugia.
Assim, hoje, o antigo bule de chá de porcelana está no museu, sem tampa.
Maria Ondina Braga, O Jantar Chinês e Outros Contos, Ed. Caminho, 2004 (texto adaptado)



2.

a) O narrador vai contar uma história de um bule com centenas de anos. V

b) O Imperador gostava mais de jogar às cartas do que de governar. ?

c) No entanto, não conseguia arranjar um parceiro. V

d) Quando o Imperador soube que o ministro sabia jogar propôs um jogo. F

e) O ministro levou horas para conseguir vencer o Imperador. F

f) Furioso, o Imperador atirou com o bule ao ministro. F

g) O antigo bule ficou, assim, sem tampa. V


Correcção das frases falsas:
d) Foi o ministro que propôs ao Imperador jogarem cartas.
e) O ministro levou apenas uma hora a derrotar o Imperador.
f) O Imperador atirou com a tampa do bule ao ministro.

3. A Acção passa-se na China, há muitos séculos atrás.

4. O narrador é não participante ou ausente.

5. O Imperador era prepotente, presunçoso, hipócrita e impaciente. O ministro era sensato e inteligente.

6. O bule era muito bonito e um dos tesouros mais raros do palácio. Era feito de loiça finíssima, leve, transparente e tinha, de um lado, um dragão de oiro e, do outro, uma Fénix de penas de coral e prata.

7. O recurso utilizado é a comparação (mas também se utiliza a hipérbole e a adjectivação).
II
1.
Um nome comum- Bule
Um nome próprio- China
Um adjectivo - maravilhosa
Um pronome pessoal- me
Um verbo no presente do indicativo- trazes
Um verbo no modo Conjuntivo- madasse
Um verbo no Pretérito Perfeito- arremessou


2.

engraçado encomendar inquieto importar insistir
importante implicar entrar embalar inalar

3.

acesso inconsciente ânsia perseguição recepção
compasso cansar abraço massa asseado
4.

a) Telefona-lhe!
b) Não desligues o televisor!
c) Escreve-lhe!
d) Não vás depressa!
e) Não continues a andar!
f) Vira-te para trás!

5.

Semear-Semente
Escolher-escolha
Transplantar-transplante
Escrever-escrita
Cheirar-cheiro
Rezar-reza
Colher-colheita
Ler-leitura
6. grau superlativo relativo de superioridade

grau superlativo absoluto analítico
grau comparativo de superioridade
grau superçativo absoluto sintético

7.


8.

a) Ainda que eu te contasse a minha história, tu não acreditarias.
b) Logo que chegues a casa, arruma tudo no sítio.
c) Logo que saias da escola, telefona-me!
d) Embora esteja bom tempo, não vamos sair.
e) Se eu tivesse tempo, ajudar-te-ia na preparação do teste.

9.

a) Ontem, eu fui ao cinema e vi o filme cujo assunto era muito interessante.
b) Amanhã, os meus colegas irão para os Pirinéus, onde irão praticar esqui.
c) Se os habitantes da Terra tivessem mais cuidado não poluiriam o ambiente.

III

Resposta livre.